sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Provisório
O presente na realidade não existe. A tecla que digito para escrever essa palavra, nessa já é passado. E assim os momentos fluem.
Cada um tem a capacidade de prever parte de seu futuro. Sei, por exemplo, que daqui alguns minutos pegarei um elevador, entrarei num ônibus, num metrô e chegarei em minha casa. Darei um beijo em minha mãe, um carfuné nos meus cachorros.
A questão é que essas coisas corriqueiras não são o que normalmente nos dá entusiasmo, embora, quando o alto astral te contamina surgem as exceções. (boas exceções que deveríamos, mas não o fazemos, com mais frequencia).
Enfim, o provisório é o dominante na vida do ser humano. Hoje te aqueço, amanhã você me esfria. E isso é o que pode ser descrito na capacidade de prever o futuro.
Vivemos com a expectativa do acaso chegar e trazer supresas.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Quando se nota
que nada faz o menor sentido
Como pode uma vida justa
Manter tão longe
O querer que não é egoísta
Apenas vívido
Gostar e não tocar
Sentir e não tornar explícito
Deixar a garganta seca
Quando a vontade é gritar para o nada
Dizer tudo
Que não cabe mais em mim mesma.
É agredir a saudade
Para que ela fuja
Daqui de mim
Pare de machucar qualquer parte que aperta
Que corrói
E destrói minha alegria escancarada.
A ausência é vulgar
Querer tanto o que não se deve desejar
De tão longe se ausenta
E nem assim eu consigo deixar de sentir
Seus sentidos
domingo, 3 de maio de 2009
E eu não vejo o dia de você voltar em mim
Me invadir
Despir a alma
Meus sossegos vão embora
Eu quero mais é que eles vão para longe daqui
Pois ao seu lado a vida vira dança
E o meu corpo vai no ritmo que você propõe
Quando me pega e me envolve em tuas pernas
Me joga no teu colo
Cheio de calor
São abstratas as cores dos teus beijos
Eu me solto
Eu me perco
Em sua dimensão
E num suspiro você me trás de volta
Eu levanto e tranco a porta do meu coração.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Hoje me sinto como se faltasse algo bom dentro de mim, como se o minuto a passar no relógio fosse preguiçoso.
Engraçado a tormenta que é dizer Adeus. A gente começa algo sabendo que terá um fim, assim como tantas experiências vividas que no final só deixa o gosto nostálgico de lembrança, saudade, conforto e tristeza. E assim sempre será. Afinal, hoje somos o que vivemos ontem e o que fazemos pelo amanhã. E as lembranças sempre nos acompanharão. Que bom que as temos. Que bom...
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Fuga
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O dono da palavra: Bruno D`Almeida
Um beijo!
Ah, o blog dele é: comendocomfarinha.blog.terra.com.br
Como você tem a coragem de chegar assim, feito uma bola de fogo do céu, sacudindo meu coração feito canção de ninar? Pode ir parando por aí, eu já sofri muito e sei o peso da dor. Antes que você continue a transformar a minha vida novamente no maior barato, eu quero lhe dizer algumas coisas. Pode sentar.
Eu já amei. Fui um desses namorados loucos que só enxergam a pessoa amada, que dedicam o céu, a lua e o pedaço de chocolate mordido a quem a gente chama dos nomes mais estranhos. Já chamei meus amores de docinho, chuchu e outras maluquices, rompendo os limites da bestialidade humana. Eu não sei se você sabe, ou finge que não sabe, que quem ama passa por um leve processo de retardamento mental. Se você quer ficar comigo vai ter de agüentar essas coisinhas miúdas que nos fazem humanos, contanto que não conte pra ninguém os nossos segredos e bobagens a dois.
Eu já terminei relacionamentos que julgava eternos. Já ouvi tudo aquele protocolo básico: “veja bem, o problema não é com você, mas comigo”, ou “eu amo você, mas nossa relação virou uma grande amizade”, além da sofrível declaração “eu rezo a Deus que você encontre uma pessoa que realmente te mereça”. Eu aprendi que eterno é o que fica. Para sempre quem passou na minha vida terá o rótulo de ex-qualquer-coisa-que–tive.
Eu já tomei chuva, já mandei flores, chorei na despedida e fiz tudo que um casal normal, com toda sua anormalidade, pode fazer. Mas o que me deixa feliz, minha adorável criatura esdrúxula, é curtir a certeza de que todo momento é único, e fazer com você tudo que parece igual, mas de um jeito diferente. Eu nem acreditava que meu coração pudesse bater tão forte assim novamente como ensaio de escola de samba.
Eu já sei onde errei. Ora me dei demais sem receber, ora não valorizei o que recebi. Muitas vezes criei mais problemas do que eles pudessem existir e em outras vezes os problemas é que foram muitos a se resolver. Se você sabe um pouco dessas experiências também, vamos devagar com o andor: afinal, tanta porrada serve ao menos para saber onde não mais errar.
Eu só sei que ao menos posso me permitir tentar. Se já me dediquei tanto para um relacionamento dar certo, e todos eles fracassaram, quem sabe você, que entra assim, de supetão, me faça feliz de verdade. Eu só quero deixar claro, mas absolutamente claro, se você entrar assim na minha vida, deixando meus pés para o alto, eu vou mesmo pagar para ver, pois ninguém aposta todas as fichas para perder. Como eu não tenho mais fichas, o máximo que posso perder é a vergonha na cara. Mas quem perdeu pra eu achar?
Bruno D’Almeida
